Ética, quem pode ser exemplo na política?

As pessoas, em regra, moldam seu caráter em princípios e valores adquiridos, invariavelmente, nos exemplos que acumulam na existência. Pais, professores, líderes e ídolos vão deixando marcas em nossa memória e, involuntariamente, às vezes, nos pegamos sendo seus imitadores. É claroque a formação e a nossa própria vivência têm grande influência, mas é sobretudo o exemplo que ressaltamos e peloqual, sinceramente, somos gratos.

Na política não é diferente.  Nunca deixarei de mencionar André Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin como políticos que marcaram, com seus exemplos, o modo de fazer política.Cada qual com suas características, mas todos marcaram a geração que fez política em São Paulo desde o enfretamento ao regime militar. 

Ao escrever suas meditações, Marco Aurélio dedica seu primeiro capítulo a agradecer aos exemplos que pôde seguir em vida. As linhas dedicadas à sua gratidão ao seu pai de criação, na sua vida política, são de forte inspiração e poderiam ser acolhidas como manual ético para uma vida política sustentável. Vejamos alguns itens: 

(1)  fidelidade inabalável às decisões, uma vez tomadas; (2)  ouvir pessoas que possam contribuir para o bem comum; (3)  noção de quando exercer pressão e quando recuar; (4)  obstinação pela verdade, nunca se satisfazendo com as primeiras impressões nem interrompendo uma discussão prematuramente; (5)  constância com os amigos, nunca se cansando deles nem demonstrando favoritismo; (6)  sua atenção cuidadosa até com as menores coisas; (7)  sua disposição em assumir a responsabilidade e até a mesmo a culpa pelas coisas públicas; (8)  sua atitude para com os homens, sem demagogia, sem favoritismo e sem bajulação; (9)  sempre sóbrio, estável e nunca vulgar ou preso a modismos; (10)  ninguém jamais o chamou de  falastrão, desavergonhado, nem pedante; (11)  sua propensão a não sair pela  tangente nem fazer pressão em todas as direções, mas manter-se fiel  aos mesmos lugares e às  mesmas pessoas; (12)  o fato de que ele tinha tão poucos segredos, apenas segredos de Estado, na verdade, e não muitos; (13) a maneira de manter as ações públicas  dentro de limites razoáveis, porque olhava para o que precisava ser feito, mas não para o crédito que obteria ao fazê-lo.(AURÉLIO, Marcos. Imperador de Roma, meditações, Tradução HeciRegina  Candidani,  RJ, Sextante,2024, pg.71/73). 

Sem dúvida, Marco Aurélio pôde espelhar-se no seu pai adotivo e líder político. Temos no Vale figuras que nos honram em seguir seus exemplos. Nós, ao final de um ciclo, acalentamos a ideia de, tal como Paulo, apontar corretamente exemplos a serem seguidos, assim como fiz.

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